SE ESSA RUA FOSSE MINHA…

DESCRIÇÃO 

– Isso é arte?

Estamos em 2017, e poucas vezes na história de São Paulo uma discussão que pode ser resumida nessas três palavras ocupou espaços tão amplos e criou depoimentos tão apaixonados sobre as consequências dos grafites e pichações para o corpo urbano.

A obra ‘Se essa rua fosse minha…’ (Impressão sobre placa de concreto, 2017), comissionada pela Traço ao artista Marcos Marchetti, é uma proposta de aproximação desse momento, e que se guia para uma exploração irrestrita de diferentes áreas do campo de tensões que o atravessa.

A obra apresenta-se como um projeto em escala reduzida de um muro. Seja construído pela via consensual ou por meios impositivos, um muro sempre explicita divisão de lotes e controle de acesso, tem relevância na construção da paisagem e também produz domínios – internos e externos às suas demarcações – onde culturas comunitárias ou institucionais, com graus diferentes de organização, encontram e enfrentam condições para se implantarem. O muro é uma convenção que distribui espacialmente as instâncias sociais.

De volta à obra: embora seu suporte seja concreto, o material mesmo dos muros, seu tamanho real (30cm x 80 cm) recupera o de uma tela da pintura tradicional, institucionalizada. Quais os ganhos e perdas na trajetória do grafite e pichação rumo aos espaços encerrados do museu e das galerias?

A reflexão que se segue é atrelada à mensagem geral dos desenhos e textos: inúmeros episódios remetendo a violências e conflitos jamais conciliados na história da arte são recortados, narrados e articulados pela linguagem da street art, mas não são executados com spray. Usando uma estratégia de mimese, o artista traz à luz as convenções dessa linguagem, arranca-a de seu contexto, mas a encena nele mesmo, à superfície do micro muro. A obra avança rumo ao risco porque desloca as convenções da estética da rua, pela via do conteúdo, aos embates entre artistas, críticos, colecionadores e obras já estabelecidas e mais ou menos consagradas no interior do sistema das artes. Não há área para descanso.

Avaliando de forma bruta instâncias do que se convenciona como arte e do que pode ou não ser arte, o autor desequilibra as certezas e conecta novos vasos comunicantes entre as instituições que compõem rua, arte e política. Acima de tudo, o trabalho é um colorido convite para examinarmos as possibilidades de relações entre leis e o desejo de transgredi-las.

CARACTERÍSTICAS 


AUTOR
Marcos Marchetti 


ANO
2017


TÉCNICA
Impressão sobre placa de concreto 


DIMENSÕES (*)
80,0 cm (largura) x 30,0 cm (altura) x 1,5cm (profundidade)


PESO APROXIMADO(*)
8.0Kg


ACESSÓRIOS
Acompanha quatro suportes em aço cru para fixação em parede de alvenaria e parafusos com bucha


ENTREGA
A combinar


PREÇO SOB CONSULTA
Manifestar interesse


 

SOBRE O AUTOR

Marcos Marchetti

Com graduação e mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, tem prêmios e menções honrosas em artes plásticas e design, como o “Prêmio Nascente de Artes” da USP, “Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia: HTTP – TAGs”, do Instituto Sérgio Motta, e o “Concurso Novos Talentos da Moda”, da Casa de Criadores de São Paulo.

Atualmente é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo do IAU- USP, e também professor no curso de arquitetura e urbanismo da UNICEP (São Carlos, SP) e já foi professor na UNIP (Araraquara, SP), nas sequências de ‘representação e linguagem’, ‘projeto arquitetônico’ e ‘teoria e história’.

Participou de exposições coletivas e individuais, entre elas, a coletiva “Heranças Contemporâneas” com curadoria de Katia Canton, no MAC Ibirapuera, e também a coletiva “N5M – Next 5 Minutes: mídias táticas” na Casa das Rosas da Avenida Paulista, São Paulo, com o grupo de pesquisas Nomads.USP, além de duas individuais no Centro Cultural da EESC USP.

Em outubro de 2016 realizou o projeto de Ocupação Artística “Espaço Abstrato, no SESC unidade Araraquara, SP.